quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Tempestade

Talvez tenha surgido em meio a alguma outra tempestade. Ou provém de mais um devaneio.


Tempestade


Seus passos leves sobre a areia áspera. Os trovões incomodavam ao anunciarem tragédia continuamente. O céu clareava a cada relâmpago. O barulho do mar era alto, ensurdecedor. Assustador. Então ela parou. Posicionou o pé no estribo. Impulsionou e... Sentou-se. Estava em cima de seu único companheiro. Estavam juntos desde os seus quinze anos. Acreditava que ele seria mais fiel que qualquer outro. O cavalo era branco com poucas manchas.
Galopou em meio às lágrimas vindas do céu. Devagar. Calma. Como se a situação perigosa a agradasse. Provocante para a morte. Queria chamar atenção de Deus. Mesmo sem saber se o tal existia. Mas nada aconteceu.
Suas tentativas eram sempre falhas. Nao seria diferente. Ela já sabia. Então deixou de sonhar acordada. Era loucura se imaginar atiçando seu próprio fim.
Convenhamos, não era sua culpa. Porem seria certo culpar a Deus? As perguntas nao paravam de persegui-la. Tentou não sonhar. Recompôs-se.
Ainda assim caminhava como um galdeio. Talvez estivesse perdida. Não sabia como, mas perdeu-se dentro de seus próprios passos.

Beatriz.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...