terça-feira, 1 de abril de 2014

Colorido?

Colorido?



Os dedos magros. Finos. Esguios. Pesados. Desastrados. Seguravam firmemente. Pequenos cabos de 10 cm. Um pouco de tecido. Flores de pano branco. Pequenas. Belas. Puras. Ingênuas. Presas por dedos magrelos. Observadas por olhos de tempestades. Olhos não tão puros quanto aquelas flores.
Falhou ao tentar sentir ao perfume das flores. Já não era mais criança. Deveria saber que não era possível tal ato. Mas cabeça dura como era... Resistia à verdade. Fugia. Se escondia. Não admitia. Não vivia. Apenas observava as flores. Quieta. Cantarolava baixinho. Agora, sozinha.
A tempestade de seus olhos perdidos apenas piorava. Mas não admitia o erro. Não sabia errar. Vivia pra errar e não o aprendera. Deixou as flores sobre a mesa. Não possuía mais delicadeza alguma para manuseá-las. Seus dedos tremiam. Sabia que algo não estava normal. Mas seu dicionário não tinha espaço pra palavra erro. Levantou-se. Trêmula, aproximou-se da janela aberta. Sentiu uma leve brisa que mais lhe parecia um furacão. Estava frágil demais.
Reparou, finalmente, que lá fora o dia ainda estava aceso. Alegre. Banhado por sol. Assim, com o tempo, aprendeu a tornas as tempestades de seus olhos menos cinzas. Com ajuda do sol poderia criar o arco-íris que tanto lhe fazia falta desde que Ela havia partido.

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