Frágil Lã
Éramos como uma bola de lã. Enrolados. Complexos. Aprisionados. Coloridos. Esquecidos em algum canto de uma casa gelada. Uma história complicada de entender, onde cada fio levava a um caminho diferente.
Você segurou minha mão, forte; muito forte. Você disse que ainda estava aqui, mas não estava; não estava há tempos. Eu disse que aguentava, mas já tinha desistido; já tinha pensado em lhe dizer o mesmo. E fomos tentando manter nosso enrosco unido como deu, como foi possível, assim, sem prioridade alguma. A dor era o mais presente. Foi difícil, a força foi tamanha que meu corpo ficou exausto. Seguramos os fios da nossa bola de lã por tempo demais, eu sabia.
Não foi difícil um gato qualquer, animalzinho pequeno, ser desculpa para tudo desenrolar e tornar-se claro. Havia acabado. E teríamos que deixar que aquele embolado de sentimentos se fosse junto com todos os sorrisos e alegrias que já haviam existido. E tudo que restou foram corpos exaustos, vazios, sem cor, que mal conseguiam dizer uma palavra um ao outro. Foi assim que cada um usou o que restava de determinação para ir a lados opostos.
Beatriz.