segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Um árduo comum



Um árduo comum





Ela era complicada. As pessoas em geral não conseguiam compreendê-la. Nem mesmo sua mãe entendia o mínimo sobre ela.

Quando ela ficava olhando por muito tempo para um texto, indecisa sobre qual palavra deveria optar, ou para uma vitrine sem saber que presente escolher, ou mesmo quando ela pensava e pensava, mas não conseguia se decidir se estava certa ou errada, nem ao menos entendiam que ela estava confusa. A indecisão sempre foi algo que a atrapalhou e que irritou muitos a sua volta.

Sensível demais; tentava ser mais forte do que podia. Tinha medo do que pensavam dela toda vez que lágrimas corriam de seus olhos sem ninguém saber que era por ter deixado seus pensamentos irem longe demais. Ainda assim, tentava parecer bem e esconder a dor de uma forma que não era capaz. Olhares confusos pousavam sobre ela.

Gostava e não gostava que se preocupassem com ela. Adorava sentir que algumas pessoas se importavam, mas se sentia mal ao lembrar que poderia estar dando trabalho aos outros.

Compreendia ser tão diferente dos outros por dentro, mas sabia que a carcaça era igual à de qualquer um. Tinha medo de enlouquecer nas noites que passava sem dormir, refletindo sobre as estrelas que brilhavam tanto e opacidade da sociedade cinza e esquecida.

Difícil de lidar com alguém assim, repetia em sua mente enquanto fugia com a mochila nas costas. Nunca mais a viram por ai. Ela foi buscar respostas para o poço fundo de sentimentos que carregava dentro de si.

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