Hey.Comecei esse texto no ônibus, observando as pessoas. É engraçada a sensação de ser telespectadora da vida real, a janela do ônibus pode ser bem mais interessante que DOmingão do Faustão. Então desligue a TV, escute o som de Muse - Unnatural Selection, e percorra minhas palavras e meu caminho de retorno ao lar.
Vidas de Vidro
Pela janela do ônibus vejo outras janelas do mundo. Janelas
altas, que espiam a cidade à vistas grossas, janelas baixas cheias de grades,
protegendo os humanos de dentro dos humanos de fora.
Começa a chover. Pessoas correm às janelas pegando toalhas e
lençóis pendurados em seus varais improvisados. Pessoas nas calçadas correm em
busca de abrigo e brigam com o céu choroso. E eu, cansada, apenas observo as
gotas geladas caírem em meu rosto, molhando meus óculos e acariciando minha pele
ao escorrerem. A chuva não me parece ruim.
Por que então as pessoas fogem da chuva? Então lembro – me das
frequentes desculpas, de que os cadernos, a roupa, a chapinha, o notebook mais
um monte de tranqueiras carregadas em nossas costas não podem molhar.
Tranqueiras estas criadas para nosso “conforto”, e confortavelmente, para elas,
retiramo-las da temida água da chuva. E então percebo o quanto somos escravos
do que nos cerca. Nossos objetos são mais importantes até do que as pessoas ao
nosso lado. Uma foto merece mais atenção do que sua imagem, um toque de celular
é mais valorizado do que quem o fez. As palavras tem mais valor do que seus
significados. Somos escravos de nossas próprias criações e nos iludimos ao
achar que máquinas são escravas de seus criadores. Matamos dia-a-dia as
experiências de nossos sentidos pelo prazer de ficar preso á uma telinha de
celular que te dá a mais fiel impressão de que você recebe atenção.
O ônibus para. Deixe – me abrir o guarda-chuva, minhas
palavras não podem molhar.
Luisa
The lucky don't care at all...
ResponderExcluirGramática impecável. Muito gostei da sua forma de escrever e gostei do que escreveu. Parabens.
Muito obrigada, mesmo. Esse texto saiu um pouco diferente da maioria, é um fruto das minhas primeiras ideias de escrita que quase nunca vêm para cá.
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