terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Vidas de Vidro

Hey.
Comecei esse texto no ônibus, observando as pessoas. É engraçada a sensação de ser telespectadora da vida real, a janela do ônibus pode ser bem mais interessante que DOmingão do Faustão. Então desligue a TV, escute o som de Muse - Unnatural Selection, e percorra minhas palavras e meu caminho de retorno ao lar.


 Vidas de Vidro


Pela janela do ônibus vejo outras janelas do mundo. Janelas altas, que espiam a cidade à vistas grossas, janelas baixas cheias de grades, protegendo os humanos de dentro dos humanos de fora.
Começa a chover. Pessoas correm às janelas pegando toalhas e lençóis pendurados em seus varais improvisados. Pessoas nas calçadas correm em busca de abrigo e brigam com o céu choroso. E eu, cansada, apenas observo as gotas geladas caírem em meu rosto, molhando meus óculos e acariciando minha pele ao escorrerem. A chuva não me parece ruim.
Por que então as pessoas fogem da chuva? Então lembro – me das frequentes desculpas, de que os cadernos, a roupa, a chapinha, o notebook mais um monte de tranqueiras carregadas em nossas costas não podem molhar. Tranqueiras estas criadas para nosso “conforto”, e confortavelmente, para elas, retiramo-las da temida água da chuva. E então percebo o quanto somos escravos do que nos cerca. Nossos objetos são mais importantes até do que as pessoas ao nosso lado. Uma foto merece mais atenção do que sua imagem, um toque de celular é mais valorizado do que quem o fez. As palavras tem mais valor do que seus significados. Somos escravos de nossas próprias criações e nos iludimos ao achar que máquinas são escravas de seus criadores. Matamos dia-a-dia as experiências de nossos sentidos pelo prazer de ficar preso á uma telinha de celular que te dá a mais fiel impressão de que você recebe atenção.

O ônibus para. Deixe – me abrir o guarda-chuva, minhas palavras não podem molhar.
Luisa

2 comentários:

  1. The lucky don't care at all...
    Gramática impecável. Muito gostei da sua forma de escrever e gostei do que escreveu. Parabens.

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    Respostas
    1. Muito obrigada, mesmo. Esse texto saiu um pouco diferente da maioria, é um fruto das minhas primeiras ideias de escrita que quase nunca vêm para cá.

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