Cores quentes e frias
Ás oito o despertador tocava. Uma vez. Duas vezes. Na terceira era desligado e ela se punha de pé. Abria as cortinas; via o céu azul e gostava. Gostava do azul.
Ia até seu armário, sem pensar, pegava seu short jeans. Em seguida sua blusinha vermelha. E gostava da blusinha. Gostava do vermelho.
Ela era como seus gostos indecisos. Era quente e fria, fogo e gelo. Mais complexa do que a maioria podia imaginar. Talvez mais complexa do que as próprias cores.
Gostava de ficar sozinha quando dava na telha, mas era questão de segundos para vê-la rodeada de pessoas, tagarelava.
Gostava do dia e da noite. De lugares com iluminação sobrando e de breu total.
Gostava dos paradoxos que imaginava. Gostava tanto que quando morreu permaneceu viva. No meu coração.
E ninguém soube dizer se o caixão deveria ser azul ou vermelho.