quarta-feira, 30 de abril de 2014

12 olhares: Objetos Decorativos!

Olá! Lá estou eu novamente com o projeto :)
Achei o tema bastante interessante pelo horizonte de possibilidades e... Peguei tudo que está no meu quarto e minha mãe chama de nomes não muito legais ("tralhas", por exemplo), mas que ficam aqui do mesmo jeito pra dar vida ao quarto. hahaha


É da raça da mãe da Sarah (minha Cadela) <3



 (Não tá no melhor estado possível por conta de ter
 sido encontrado enterrado na praia, mas...)






Enfim, espero que tenham gostado e tenha inspirado vocês de alguma forma.
Comentem se gostaram ou o que mudariam :)
Até. 


Beatriz.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Cruz Imaginária

Hey.
Sei que ando bem sumida, mas tomara que logo possa postar direito aqui. A escola anda muito puxada mas eu não abandonei o blog, viu? Então, para não perder o costume, Los Hermanos - Tá Bom. Boa noite, boa vibe e boa leitura :)

Cruz Imaginária



Chega aqui, escuta o som do vento que chegou só pra te mostrar que o tempo passa sem se ver. Olha o céu. Até ele, imortal, muda a cada segundo.

Vem aqui, veja a sombra daquele homem. É só dele, e é só eterna. Todo mundo carrega uma sombra consigo a vida inteira, e continua andando.

Senta aqui, espera que eu não terminei. Quem é que foi que jogou o peso do mundo em teus ombros? Ele gira sozinho e te leva com ele. Não se engane, o que você carrega não é nada mais que sua consciência.

Olha aqui, não tira os olhos dos meus. Onde você foi procurar o que achou que tinha? O que tem hoje é só o que nasceu com você. Pare de tentar levar tudo que um dia foi dono dos teus olhos consigo. Tudo no mundo tem suas próprias pernas.

Deita aqui, encosta a cabeça e deixa o corpo descansar. Quando foi que alguém te prendeu, ou será que só foi você que quis ficar? O mundo é mais belo do que pensa. E se um dia ele se esqueceu de te fazer sorrir, pode partir, pode ir.

Ou se quiser, pode vir comigo.


Luisa

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Kefi (Alma)

~ Só pra vocês entenderem e tal ~

Kefi é uma palavra grega. DE ACORDO com o filme: Falando Grego, Kefi é sua alma, sua aura. Mas dentro do contexto (filme legendado), eles falavam como se fosse o motivo da pessoa de viver (cada pessoa teria um Kefi). ~



Kefi (Alma)


Ao teu lado. Imaginei. Sonhei. Aspirei. Pensava que seria mais madura. Que seríamos. Imaginava a gente brigando e de noite eu dormiria nos teus braços aconchegantes. Porque o amor sempre foi maior. Quando estivéssemos casados também seria. Não?

Faríamos aula de música juntos. Estilos diferentes. Mas bons. E brigaríamos pra ver quem cantava mais alto. Eu te ensinaria a nadar. Você me ensinaria a cozinhar. Eu te ensinaria sobre as plantas e a natureza em si. Você me ensinaria sobre computadores e a tecnologia em si. Eu leria em tardes chuvosas. Você estaria dando aquela risada gostosa enquanto assistia à algum programa idiota. Eu deitada no seu colo. As estrelas acima de nós.

Eu daria um nó em sua gravata. Um beijo. Leve despedida. Mas quando você chegasse de noite, sentaríamos à mesa e narraríamos nossos dias. Depois lavaríamos a louça enquanto eu tagarelaria sobre as cores do mundo e o abstrato que nos cerca.

Eu imaginei nossa menininha. Fruto nosso. A pele cor de café com leite. Olhos profundos como os do pai. Claros. Singelos como os da mãe. Os cabelos que ficariam longos logo. As primeiras palavras. As primeiras coisas que ensinaríamos juntos. Juntos. Batalhando por ela.

O garotinho viria uns dois anos depois. A pele um pouco mais escura que a dela. Amoroso demais, como a mãe. Bobo demais, como o pai. Alto, forte, amado. Os dois curiosos. Os olhinhos nos fitariam todas as manhãs.

Papai faria o café, mamãe as panquecas. Porque somos muito diferentes, mas nos completamos. Só que hoje... Sinto-me a pessoa mais idiota do universo tendo pensado tudo isso. Você se foi. Levou consigo os meus sonhos, meus sorrisos, o concreto, o abstrato. Levou meu destino pela sua estrada e eu segui pela minha, sem destino.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Dor Petulante



Daqueles contos que simplesmente surgem...

Dor petulante


Os dedos entrelaçados. Os passos de uma acompanhando os da outra. Devagar. Cautelosos. Doloridos. Os fios de ouro da mais nova estavam laçados em um coque frouxo como seu coração. A mais velha segurava as lágrimas, simplesmente pelo orgulho de ser mais velha. A respiração das duas estavam unificadas, apesar de descompassadas. Procuravam o cheiro característico, entretanto sabiam que ele já estaria quase totalmente apagado. Mas não seria esquecido:



"- Mamãe, por que você e o papai nunca tiram essas coisinhas da boca? - perguntava a mais velha, na época ainda filha única, todos os dias.

A mãe tirava o cigarro da boca, mandava a fumaça pela janela e suspirava."



"Anos mais tarde, a mais nova, já com 16, reclamava.

' - Ô mãe, para de deixar esse cheiro no meu quarto, credo!'

' - Ô mãe, abre a janela desse carro, eu não aguento mais esse cheiro!'

' - Ô mãe!

- Já apaguei, querida. - E a filha tossia por conta da fumaça."



"A de 27 e a de 24. Paradas em frente à pequena casa vermelha com cheiro de cigarro. Desciam do carro e iam correndo encontrar o conhecido abraço recheado de ternura. Já não reclamavam mais, apesar do incômodo. O sentimento de voltar ao lar era bom."



Agora, as duas não querem entrar na casinha vermelha. Não correm. Seguram-se. Esperam engasgar com o cheiro costumeiro de cigarro. Mas não acontece. As lágrimas da de 32 já escorriam há algum tempo, escorregavam, contornavam as bochechas rosadas, uniam-se no queixo, pingavam. O rosto molhado. Os soluços delas entalados nas gargantas. Sufocando. A mais velha não aguentou muito mais tempo. Logo, os dois rostos de porcelana estavam molhados e pingando. Quando finalmente chegam à portinhola da casa, a força da mais velha pra virar a chave teve de ser grande. O barulho do molho de chaves chocando-se contra si mesmo faz uma sintonia quebrada com o som dos soluços tímidos. Finalmente engasgaram. Porém não com a fumaça do cigarro, mas com o pó acumulado em uma casa já não mais habitada. A mais velha tocou as paredes em que a tinta já descascava. A mais nova sentada junto à sujeira observou o sofá em que tantas vezes se reuniu com a família. Horas depois, as duas carregavam caixas e caixas de papelão. Dentro delas, a nostalgia que não cabia no peito.

Beatriz.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Colorido?

Colorido?



Os dedos magros. Finos. Esguios. Pesados. Desastrados. Seguravam firmemente. Pequenos cabos de 10 cm. Um pouco de tecido. Flores de pano branco. Pequenas. Belas. Puras. Ingênuas. Presas por dedos magrelos. Observadas por olhos de tempestades. Olhos não tão puros quanto aquelas flores.
Falhou ao tentar sentir ao perfume das flores. Já não era mais criança. Deveria saber que não era possível tal ato. Mas cabeça dura como era... Resistia à verdade. Fugia. Se escondia. Não admitia. Não vivia. Apenas observava as flores. Quieta. Cantarolava baixinho. Agora, sozinha.
A tempestade de seus olhos perdidos apenas piorava. Mas não admitia o erro. Não sabia errar. Vivia pra errar e não o aprendera. Deixou as flores sobre a mesa. Não possuía mais delicadeza alguma para manuseá-las. Seus dedos tremiam. Sabia que algo não estava normal. Mas seu dicionário não tinha espaço pra palavra erro. Levantou-se. Trêmula, aproximou-se da janela aberta. Sentiu uma leve brisa que mais lhe parecia um furacão. Estava frágil demais.
Reparou, finalmente, que lá fora o dia ainda estava aceso. Alegre. Banhado por sol. Assim, com o tempo, aprendeu a tornas as tempestades de seus olhos menos cinzas. Com ajuda do sol poderia criar o arco-íris que tanto lhe fazia falta desde que Ela havia partido.

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