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sábado, 9 de agosto de 2014

Registrando com luz?


Dia desses senti necessidade de expressar minha paixão pela fotografia, mas só agora tomei coragem de expor tudo isso.

Registrando com luz?


Os pelos fofos do gato preto agredidos pelo toque dos azulejos azuis da escada ao se espreguiçar. Click. O sol sumindo através das milhares de cores habitando o céu naqueles breves instantes. Click. A curva gostosa formada nos lábios da menina que ria enquanto seu irmão lhe dava leves empurrões no balanço do parquinho. Click. Um senhor andando na rua com sua esposa e seu cachorro salsicha marchando lentamente preso por uma coleira fina de couro. Click. O toque suave dos pés da bailarina na areia áspera de uma praia deserta ao amanhecer. Click.

As pessoas acham que é algo tão bobo, tão simples, tão sem importância. Mas quando ela ouve o som do botão sendo apertado e vê a foto aparecer no visor, sente-se completa. Todos os seus problemas somem. Nada a atormenta. Oa barulhos que existirem no ambiente em que estiver transformam-se num silêncio cristalino e gostoso de se encontrar. Ela se vê naquilo, e sua alma parece dançar. As borboletas em seu estômago parecem dar mortais para trás e sempre que um click é feito ela já anseia pelo próximo. E no final, bobo mesmo é quem a julga quando lhe vê correndo com a câmera em mãos. E simples mesmo era ignorar as técnicas por trás disso e sentimentos bastante complexos para serem transmitidos. E sem importância mesmo são as opiniões alheias que tentavam furar seus sonhos como frágeis balões.

Beatriz.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Cotidiano Inundado

Cotidiano Inundado


Ana era uma moça de 37 anos. Ana era uma mãe solteira. Ana era secretária de um escritório e odiava o emprego. Ana acordava todos os dias cantarolando uma música diferente. Mas naquela manhã Ana não cantarolou.
Ana acordou atrasada e precisou sair sem comer. No meio do caminho Ana comprou um café que estava frio, e bebeu assim mesmo. Ana revirou a bolsa de maquiagens no farol, tentando se arrumar, e o seu dedo indicador sangrou quando ela o enfiou na gilete.
Ás 8h quando deveria estar no serviço, Ana estava presa no trânsito. Às 9h, quando finalmente chegou ao escritório, Ana levou a maior bronca de sua vida. Na hora do almoço, a filha de Ana ligou para dizer que havia sido assaltada. Ás 15h quando estava resolvendo problemas de seu departamento, o ex-marido de Ana fez um escândalo na portaria. Ana quase foi demitida. Ao final do expediente, Ana foi para o carro e deparou-se com um imenso risco em sua porta.
Ana foi direto para casa enquanto mandava alguma mensagem tranquilizando a filha. Ao chegar em casa, Ana não desligou o carro; ela desceu correndo para dar um abraço e um beijo em sua filha que esperava na garagem. Ana disse estar feliz. A filha de Ana ficou confusa. Ana não ligava mais para nada. Ana estava feliz porque sua filha estava bem. Ana e sua filha prepararam o jantar juntas, tagarelando. Ana foi dormir ao final da novela. A filha de Ana a ouviu chorando baixinho durante a madrugada.


Beatriz.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Frágil lã

Oi oi oi oi, que saudade, sério! Como é bom estar escrevendo aqui de novo. Gente, meu pc estava muito "sequelado" e eu não estava conseguindo postar mais do que o projeto, além de não conseguir responder os comentários de vocês (o que já aproveitei pra fazer tudo essa semana <3). E agora meu pc retornou e eu estou de volta com um texto pra vocês e a notícia de que é provável que eu e a Lu iremos trazer novidades em breve :)


Frágil Lã


Éramos como uma bola de lã. Enrolados. Complexos. Aprisionados. Coloridos. Esquecidos em algum canto de uma casa gelada. Uma história complicada de entender, onde cada fio levava a um caminho diferente.

Você segurou minha mão, forte; muito forte. Você disse que ainda estava aqui, mas não estava; não estava há tempos. Eu disse que aguentava, mas já tinha desistido; já tinha pensado em lhe dizer o mesmo. E fomos tentando manter nosso enrosco unido como deu, como foi possível, assim, sem prioridade alguma. A dor era o mais presente. Foi difícil, a força foi tamanha que meu corpo ficou exausto. Seguramos os fios da nossa bola de lã por tempo demais, eu sabia.

Não foi difícil um gato qualquer, animalzinho pequeno, ser desculpa para tudo desenrolar e tornar-se claro. Havia acabado. E teríamos que deixar que aquele embolado de sentimentos se fosse junto com todos os sorrisos e alegrias que já haviam existido. E tudo que restou foram corpos exaustos, vazios, sem cor, que mal conseguiam dizer uma palavra um ao outro. Foi assim que cada um usou o que restava de determinação para ir a lados opostos.

Beatriz.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Procura-se Artistas


Hey.
Voltei do exílio caros leitores. Eu e a Beatriz, agora formadas em Secretariado, vamos procurar postar com mais frequência por aqui. Hoje eu trouxe um texto fruto de uma discussão em aula sobre valores culturais. A Semana de Arte moderna, para quem não sabe, foi um marco cultural brasileiro, onde os artistas utilizaram-se da "antropofagia cultural" para pegar os moldes europeus e injetar cultura brasileira. Trazendo isso para os dias atuais, como é a nossa cultura hoje? Lembrando que, não, eu não odeio cultura internacional, pelo contrário, tem muita coisa boa e que merece ser valorizada. Mas nós, brasileiros, podíamos produzir uma cultura boa também, não?
Ah, discordâncias, opiniões... Bem, qualquer coisa, comentem :)


Procura-se Artistas

Um grupo de artistas uniu-se, alugou um espaço e contrariando toda a "belle époque", a cultura europeia bonitinha que a elite brasileira tanto cultivava, criou algo novo. Nos moldes bonitinhos, mas com sangue nacional. Estava feita a semana de arte moderna, uma das modernidades mais rejeitadas quando ainda era novidade.  
Mas hoje a coisa é diferente. As "modernidades", o celular com a tecnologia mais estranha é perfeitamente aceito, tudo de novo é utilizado. Mas você já pensou no que quer dizer a palavra sony? Ou então, a sigla LG? Estamos mesmo ainda falando a nossa língua? 
Não é novidade que o Brasil não tem lá um dos melhores ensinos. Também não é novidade que o governo tem a sua grande culpa. Porém, o governo não está nas escolas, estudando ou ensinando. Nem nas casas, escolhendo os livros que você lê, os sites que visita, as músicas que ouve. E duvido que uma das suas favoritas não seja em inglês, assim como o nome da rede social acessada, ou o best seller da estante. 
Já ouvi em todos os lugares e de todas as pessoas que o Brasil é pobre em cultura. Mas oras, quem fez a cultura do Brasil? Ou será que é mais fácil copiar os modelos bonitinhos? Resultado de tudo isso: importamos cultura, celulares, televisões, carros e até nossas marcas, com nomes não nativos. 
Se o Carnaval é pra turista ver, falta um brasileiro que queira se mostrar como algo à mais que peito e bunda. E se é pra importar algo, que sejam cérebros funcionais.

Luisa

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Cruz Imaginária

Hey.
Sei que ando bem sumida, mas tomara que logo possa postar direito aqui. A escola anda muito puxada mas eu não abandonei o blog, viu? Então, para não perder o costume, Los Hermanos - Tá Bom. Boa noite, boa vibe e boa leitura :)

Cruz Imaginária



Chega aqui, escuta o som do vento que chegou só pra te mostrar que o tempo passa sem se ver. Olha o céu. Até ele, imortal, muda a cada segundo.

Vem aqui, veja a sombra daquele homem. É só dele, e é só eterna. Todo mundo carrega uma sombra consigo a vida inteira, e continua andando.

Senta aqui, espera que eu não terminei. Quem é que foi que jogou o peso do mundo em teus ombros? Ele gira sozinho e te leva com ele. Não se engane, o que você carrega não é nada mais que sua consciência.

Olha aqui, não tira os olhos dos meus. Onde você foi procurar o que achou que tinha? O que tem hoje é só o que nasceu com você. Pare de tentar levar tudo que um dia foi dono dos teus olhos consigo. Tudo no mundo tem suas próprias pernas.

Deita aqui, encosta a cabeça e deixa o corpo descansar. Quando foi que alguém te prendeu, ou será que só foi você que quis ficar? O mundo é mais belo do que pensa. E se um dia ele se esqueceu de te fazer sorrir, pode partir, pode ir.

Ou se quiser, pode vir comigo.


Luisa

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Kefi (Alma)

~ Só pra vocês entenderem e tal ~

Kefi é uma palavra grega. DE ACORDO com o filme: Falando Grego, Kefi é sua alma, sua aura. Mas dentro do contexto (filme legendado), eles falavam como se fosse o motivo da pessoa de viver (cada pessoa teria um Kefi). ~



Kefi (Alma)


Ao teu lado. Imaginei. Sonhei. Aspirei. Pensava que seria mais madura. Que seríamos. Imaginava a gente brigando e de noite eu dormiria nos teus braços aconchegantes. Porque o amor sempre foi maior. Quando estivéssemos casados também seria. Não?

Faríamos aula de música juntos. Estilos diferentes. Mas bons. E brigaríamos pra ver quem cantava mais alto. Eu te ensinaria a nadar. Você me ensinaria a cozinhar. Eu te ensinaria sobre as plantas e a natureza em si. Você me ensinaria sobre computadores e a tecnologia em si. Eu leria em tardes chuvosas. Você estaria dando aquela risada gostosa enquanto assistia à algum programa idiota. Eu deitada no seu colo. As estrelas acima de nós.

Eu daria um nó em sua gravata. Um beijo. Leve despedida. Mas quando você chegasse de noite, sentaríamos à mesa e narraríamos nossos dias. Depois lavaríamos a louça enquanto eu tagarelaria sobre as cores do mundo e o abstrato que nos cerca.

Eu imaginei nossa menininha. Fruto nosso. A pele cor de café com leite. Olhos profundos como os do pai. Claros. Singelos como os da mãe. Os cabelos que ficariam longos logo. As primeiras palavras. As primeiras coisas que ensinaríamos juntos. Juntos. Batalhando por ela.

O garotinho viria uns dois anos depois. A pele um pouco mais escura que a dela. Amoroso demais, como a mãe. Bobo demais, como o pai. Alto, forte, amado. Os dois curiosos. Os olhinhos nos fitariam todas as manhãs.

Papai faria o café, mamãe as panquecas. Porque somos muito diferentes, mas nos completamos. Só que hoje... Sinto-me a pessoa mais idiota do universo tendo pensado tudo isso. Você se foi. Levou consigo os meus sonhos, meus sorrisos, o concreto, o abstrato. Levou meu destino pela sua estrada e eu segui pela minha, sem destino.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Dor Petulante



Daqueles contos que simplesmente surgem...

Dor petulante


Os dedos entrelaçados. Os passos de uma acompanhando os da outra. Devagar. Cautelosos. Doloridos. Os fios de ouro da mais nova estavam laçados em um coque frouxo como seu coração. A mais velha segurava as lágrimas, simplesmente pelo orgulho de ser mais velha. A respiração das duas estavam unificadas, apesar de descompassadas. Procuravam o cheiro característico, entretanto sabiam que ele já estaria quase totalmente apagado. Mas não seria esquecido:



"- Mamãe, por que você e o papai nunca tiram essas coisinhas da boca? - perguntava a mais velha, na época ainda filha única, todos os dias.

A mãe tirava o cigarro da boca, mandava a fumaça pela janela e suspirava."



"Anos mais tarde, a mais nova, já com 16, reclamava.

' - Ô mãe, para de deixar esse cheiro no meu quarto, credo!'

' - Ô mãe, abre a janela desse carro, eu não aguento mais esse cheiro!'

' - Ô mãe!

- Já apaguei, querida. - E a filha tossia por conta da fumaça."



"A de 27 e a de 24. Paradas em frente à pequena casa vermelha com cheiro de cigarro. Desciam do carro e iam correndo encontrar o conhecido abraço recheado de ternura. Já não reclamavam mais, apesar do incômodo. O sentimento de voltar ao lar era bom."



Agora, as duas não querem entrar na casinha vermelha. Não correm. Seguram-se. Esperam engasgar com o cheiro costumeiro de cigarro. Mas não acontece. As lágrimas da de 32 já escorriam há algum tempo, escorregavam, contornavam as bochechas rosadas, uniam-se no queixo, pingavam. O rosto molhado. Os soluços delas entalados nas gargantas. Sufocando. A mais velha não aguentou muito mais tempo. Logo, os dois rostos de porcelana estavam molhados e pingando. Quando finalmente chegam à portinhola da casa, a força da mais velha pra virar a chave teve de ser grande. O barulho do molho de chaves chocando-se contra si mesmo faz uma sintonia quebrada com o som dos soluços tímidos. Finalmente engasgaram. Porém não com a fumaça do cigarro, mas com o pó acumulado em uma casa já não mais habitada. A mais velha tocou as paredes em que a tinta já descascava. A mais nova sentada junto à sujeira observou o sofá em que tantas vezes se reuniu com a família. Horas depois, as duas carregavam caixas e caixas de papelão. Dentro delas, a nostalgia que não cabia no peito.

Beatriz.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Colorido?

Colorido?



Os dedos magros. Finos. Esguios. Pesados. Desastrados. Seguravam firmemente. Pequenos cabos de 10 cm. Um pouco de tecido. Flores de pano branco. Pequenas. Belas. Puras. Ingênuas. Presas por dedos magrelos. Observadas por olhos de tempestades. Olhos não tão puros quanto aquelas flores.
Falhou ao tentar sentir ao perfume das flores. Já não era mais criança. Deveria saber que não era possível tal ato. Mas cabeça dura como era... Resistia à verdade. Fugia. Se escondia. Não admitia. Não vivia. Apenas observava as flores. Quieta. Cantarolava baixinho. Agora, sozinha.
A tempestade de seus olhos perdidos apenas piorava. Mas não admitia o erro. Não sabia errar. Vivia pra errar e não o aprendera. Deixou as flores sobre a mesa. Não possuía mais delicadeza alguma para manuseá-las. Seus dedos tremiam. Sabia que algo não estava normal. Mas seu dicionário não tinha espaço pra palavra erro. Levantou-se. Trêmula, aproximou-se da janela aberta. Sentiu uma leve brisa que mais lhe parecia um furacão. Estava frágil demais.
Reparou, finalmente, que lá fora o dia ainda estava aceso. Alegre. Banhado por sol. Assim, com o tempo, aprendeu a tornas as tempestades de seus olhos menos cinzas. Com ajuda do sol poderia criar o arco-íris que tanto lhe fazia falta desde que Ela havia partido.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Café com Leite

Olá!
Meus textos andam meio sumidos, eu sei. Prometo postar seeeeeempre que escrever algo novo e puder.
Por favor não deixem de comentar, demorei um pouco mais ultimamente pra responder os comentários, mas juro que arranjo uma folguinha pra respondê-los. <3
Aliás, texto surgido a partir de devaneios sobre meu tom de pele perto do de outras pessoas. É.

Café com Leite


Inseparáveis. Eu e você. Sem pontos. Sem vírgulas. Juntos numa mistura homogênea. Eu sou café. Você é leite. Eu sou forte. Você é frágil. Eu sou importante pra você. Você é pra mim.
Quem nunca tem uma relação como essa? Ao menos uma vez. Amor intocável. Desenfreado. Afobado. Necessário.
Porque ninguém bebe leite puro. Sem graça. Ninguém bebe café puro. Amargo demais. Então buscamos a solução. Juntamos os dois. Procuramos perfeição.
E sei que por um tempo vai ser perfeito. Mas até quando as pessoas vão apreciar o café com leite?

domingo, 9 de março de 2014

Casmurro

Hey.
O colégio anda consumindo até meus ossos. Mas aqui vai algo para demonstrar que ainda estou viva e escrevo por aqui.

Casmurro


Um homem passa solitário pelas calçadas do centro da cidade. Leva um chapéu na cabeça e o peso da idade nas costas. Mas, ao contrário da maioria dos velhinhos simpáticos e bem arrumados que via como figuras diferentes por essa cidade antiga, aquele andava de cabeça baixa, em um silêncio externo e uma frieza nos olhos que só faziam seu mundo particular ser ainda mais particular.

Lembrei-me de Dom Casmurro. Esperto quando moço, casou-se com um amor de infância e gastou suas horas contando sobre seus anos dourados. E então, consumido por um ciúmes nada menos que exagerado, nada mais que humano, passa de só sorrisos para um senhor calado, casmurro.

Então, fugindo de minhas reflexões, olhava aquele senhor com certa curiosidade. Era natural de minha mente inquieta imaginar uma história por trás de cada olhar, mas aquela figura simplesmente me remetia o vazio. Não que não houvesse nenhum motivo para aquela soturnidade; ele se fechava tanto em uma expressão dura que não era possível enxergar além do chapéu Fedora.
Quando dei-me conta de que o senhor olhava para mim, corei. Seu olhar fazia força para o meu desviar, e embora essa vontade fosse grande, resolvi continuar com meu foco de visão. Analisava suas vestes, suas mãos enrugadas, até novamente estar nos olhos que me encaravam. E para meu espanto, eram os mesmos olhos que eu encarava todos os dias no espelho.
É claro que os meus não possuíam uma pele flácida nas pálpebras e nem tantas rugas, mas já tinha pés de galinha quando sorria, e uma ruga de preocupação na testa que nos olhos que admirava agora, estavam bem acentuadas. Devo ter observado com algum ar de indagação, mas o senhor se viu, nada demonstrou. Olhou para mim e através de mim, como se nada fosse impenetrável ao seu olhar.
Mais uns minutos, e um ônibus passou. O senhor se foi e deixou para trás meus pensamentos.

Os olhos dos desconhecidos são o reflexo de nossa alma, e neles achamos as nossas próprias inquietudes, 
os silenciosos mistérios. E com tantos pensamentos casmurros por aí, só não encontro as Capitus de seus olhares.
Luisa

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Sempre Existe Amanhã

Hey.
Esse texto surgiu enquanto olhava as nuvens no céu. Tanto espaço no mundo, porque então essa sensação de sufocamento cada vez mais comum nas pessoas? Para acompanhar, Charlie Brown Jr. - Céu Azul. Boa reflexão.


Sempre existe amanhã


O Sol nasceu encoberto. Com o passar das horas, as nuvens foram se espalhando, como se azul pedisse espaço. Um sorriso então pediu espaço em meus lábios ao ver um olhar atento de alguém aos meus modos tristonhos. Os olhos perdidos pediram espaço entre corpos apressados para um cumprimento de bom dia.
Queria que minhas forças pedissem espaço em meus músculos, e minhas ideias pedissem caminho para se abrirem ao mundo. Mas enquanto a dor no peito não pede espaço para os gritos, e os gritos perdem espaço para a cordialidade que insisto em manter, espero que o próximo Sol nascente abra espaço para todo bom dia, sorriso, nuvem e azul que estiver no céu.

Luisa

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Teoria dos loucos


Sabe aqueles professores de filosofia que te põe pra pensar nas coisas mais loucas? Então...

Teoria dos loucos


Gosto do desconhecido. Da adrenalina do improviso. De sentir medo. Odeio esperar. Ter que me programar. Ou simplesmente me explicar.
Às vezes, não estamos preparados para o que vem. Mas, mesmo assim, vem. E não tem como fugir...
Você acredita que consegue correr. Se esconde. Some. Acredita que esqueceu. Porém está sempre lá. Te esperando até você resolver ir a luta. Enfrentar. Buscar a solução.
E quando finalmente encontrar, vai ficar tão feliz, voada, distraída... Que cairá em outro buraco escuro. E mais uma vez, mesmo dentro dele, fingirá que ele não existe. Uma loucura, eu sei, mas discorda que seja assim com você também?
O caso é enfrentar seus medos. E saber que eles nada mais são do que seu próprio consciente tentando te enlouquecer.

Beatriz.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Devaneios Urbanos

Devaneios Urbanos



Ele com suas bocas de sino balançando com o vento; ela com sua guirlanda de flores colorindo os cabelos cor de mel. Cada um com sua mochila estrada a fora. Um caminhar aliviado. Casa? Brigas? Gritos Lágrimas? Nunca mais. Os dedos entrelaçados e sorrisos de canto de boca. 
As pessoas que voltavam do trabalho observavam pelas janelas de seus carros a cena pouco comum. Ela para com seu vestido branco e olha para a parte escondida no mato, mal se deu conta quando ele o adentra e pega o que ela tanto desejava com os olhos. Com o dente de leão em mãos, ela sorri e sopra-o para obter a única coisa que almeja.
Viver seus sonhos.


Beatriz.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Queria eu

Hey.
Um texto de alguns desejos que tenho. O blog anda meio parado, mas andamos um tanto atarefadas. Não abandonamos nosso cantinho :)

Queria eu

Queria eu, por mais sonho que fosse, ser possuidora de todas as soluções. Queria eu poder dá-las aos sofredores, achar os males de Pandora e deixar livre a esperança.
Queria eu, ser o fraco de todos os monstros, ser forte o bastante para não sobrar dor em mim. Queria eu explicar o mais vil dos amores, e o fel que os amantes sofridos são obrigados à engolir.

Queria eu, como mais uma pobre alma, distribuir a calma, como anjo do céu. Queria eu, dar um fim à todo escuro, e um caminho curto e puro aos que só pisam nos cascalhos da vida.

Luisa

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Tempestade

Talvez tenha surgido em meio a alguma outra tempestade. Ou provém de mais um devaneio.


Tempestade


Seus passos leves sobre a areia áspera. Os trovões incomodavam ao anunciarem tragédia continuamente. O céu clareava a cada relâmpago. O barulho do mar era alto, ensurdecedor. Assustador. Então ela parou. Posicionou o pé no estribo. Impulsionou e... Sentou-se. Estava em cima de seu único companheiro. Estavam juntos desde os seus quinze anos. Acreditava que ele seria mais fiel que qualquer outro. O cavalo era branco com poucas manchas.
Galopou em meio às lágrimas vindas do céu. Devagar. Calma. Como se a situação perigosa a agradasse. Provocante para a morte. Queria chamar atenção de Deus. Mesmo sem saber se o tal existia. Mas nada aconteceu.
Suas tentativas eram sempre falhas. Nao seria diferente. Ela já sabia. Então deixou de sonhar acordada. Era loucura se imaginar atiçando seu próprio fim.
Convenhamos, não era sua culpa. Porem seria certo culpar a Deus? As perguntas nao paravam de persegui-la. Tentou não sonhar. Recompôs-se.
Ainda assim caminhava como um galdeio. Talvez estivesse perdida. Não sabia como, mas perdeu-se dentro de seus próprios passos.

Beatriz.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Sonhos de Papel

Hey.
Um texto escrito em alguma noite de insônia das férias. Nirvana - Where Did You Sleep Last Night, não escute se estiver deprimido.

Sonhos de Papel

A insônia me pega de surpresa, com um tom cheio de dúvidas. Parte de mim quer ser levada pelo sono, mas outra parte, grita, anseia por respostas.
Então olho para o escuro e tento enxergar meu consciente. Meu passado, presente e futuro, como eu gostaria que eles fossem. Só aí me dou conta de que são exatamente como deveriam ser, pois deviam ser como os fiz. Não fiz diferente por medo, e se fosse, não seria irracional. Fiz do jeito certinho e tranquilo porque me contentava em sonhar com aventuras sem riscos. Sonhos são livres, mas inconstantes, principalmente se postos em prática. Então, preferi o caminho que já sabia o resultado.
Não fiz meus sonhos, mas sonhei de olhos abertos, e não me arrependo. Errei nesse caminho certo que escolhi, mas não mudaria uma escolha sequer. Talvez, em algum momento, só tenha me faltado um “talvez” na vida.

A noite é um papel em branco, onde vou preencher suas lacunas com o que bem entender.

Luisa

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Como melhorar suas tardes

Hey.
Hoje o post é um tanto diferente. Inspirado em uma cabeleira ambulante com quem divido este blog, serve tanto para marcar data, mas algo bem mais importante, esse dia de ontem e todos os outros dias com que sempre pude contar com a Beatriz. E eu sei que essa música já esteve aqui, só que não tenho opção se não colocá-la. Pitty - Na Sua Estante. 
Ps: Desculpa o leve atraso.

Como melhorar suas tardes

Primeiro, vá ao shopping com amigos que acabou de conhecer, se perca dos que já pouco conhece e entre em uma discussão sobre livros com os novos desconhecidos. Logo de cara, já acha alguém com algo em comum se der sorte. Depois de assuntos em comum, ache lugares em comum, como os intervalos das aulas e as salas no mesmo pavilhão.
Finalmente, compartilhe sua vida, risadas e passos descompassados de uma festa à fantasia. Ouça no telefone em viva voz enquanto quem conversa do outro lado da linha escolhe sua roupa de chapeuzinho vermelho dark. E quando suas vidas fizerem parte uma da outra, saia por aí apenas pelo prazer de ver algo novo na companhia de outro par de olhos atentos.
Quando as coisas ficarem difíceis, naquelas épocas em que respirar é tarefa com hora marcada, tente matar o tédio com textos em papéis, risos bestas, histórias e quem sabe, um blog. Se as lágrimas correrem, ampare-as e seja o dono de um abraço amigo. Se os conselhos forem pedidos, dê porque se importa com quem está todos os dias com você, e não só porque é o certo à se fazer.
Por fim, nunca se mate por alguém. Porque se alguém está ao seu lado, é porque quer compartilhar suas alegrias, sua vida, e amigos são para essas coisas.

Bea, maninha, desculpa se sou desnaturada às vezes, mas nunca esqueça que me importo com você mais do que imagina. Feliz aniversário, e nem adianta dizer que é mais velha e por isso manda, porque sempre será a baixinha doida que conheci no shopping.

Luisa

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Menina de 17

Menina de 17


Não era como se muita coisa tivesse mudado. A mãe a cutucou. Com dificuldade a menina abriu os olhos. Acordou com a mesma cara de sono. Agora tinha 17. Mas que diferença isso fazia? Não lhe trazia muito. Nada de experiências. Erros ou acertos. Nada de sabedoria. Apenas um número. Única e simples mudança.
Mesmo com 17 anos ainda age como uma garotinha. A mãe espera que ela se levante. Arrume-se para a escola. Mas ela não o faz. Os olhos brilham em direção a mãe. Repousa a cabeça sobre o colo da mulher. Guia sua mão para a cabeça que agora tem 17. Recebe o carinho de sua criadora. E suspira. Mesmo com 17 os problemas estão ai. Eles crescem a cada ano. A menina que agora tem 17 sempre aceitou isso.
Nada está diferente. Os dias ainda têm 24 horas. As horas 60 minutos. Os minutos 60 segundos. E a menina de 17 tem a vida. A vida pra seguir.
Levanta mesmo não estando preparada pros 17. Mesmo que eles não sejam quase nada.
Abandonou o conforto do colo e seguiu a viagem de todos os dias. Como deveria. Os ventos agora sabiam dos 17. Traziam as crises de alguém que agora tem 17. Traziam a cada segundo novos ventos. Ventos que daqui não muito serão ventos de 18.

Beatriz.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Sentidos


Hey.
Não tenho muito a dizer sobre o texto, apenas que é uma reflexão com muitas analogias, e espero que tenha sentido. Black Label Society - Machine Gun Man como trilha sonora.

Sentidos

Todos são feitos de um amontoado de sentidos. Esses sentidos, como a visão e audição, fazem nascer suas interpretações, que por sua vez, transformam  sensações em sentimentos. Esses sentimentos então crescem e se materializam em expressões, que envelhecem as rugas e dão sensações, captadas por sentidos alheios de outras pessoas.
E esse ciclo de coisas etéreas e sorrisos nos rostos é que vivo observando. A simplicidade da inocência de uma criança fazer alguém rir, ou como o tédio pode arrancar toda a humanidade de um trabalhador cansado de ações repetitivas.
E o que eu posso fazer? Nada. Posso distribuir sorrisos, doar as sobras de felicidade que de vez em quando eu tenho, mas isso pode mudar uma pessoa na melhor das possibilidades.

As pessoas deviam começar à guardar os sentimentos. Reciclá-los, recriá-los, e quando forem devolvê-los ao mundo, que seja na dança da bailarina que encanta mesmo com dor nos pés e lágrimas no rosto. 

Luisa

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Soluço

Bom, texto que talvez pareça meio louco e sem sentido. Mas antes: queria pedir desculpas. Durante as férias foi meio complicado atualizar o blog, vocês devem ter percebido, por isso também não andei respondendo comentários! Mas agora as aulas voltaram e creio que tudo voltará ao normal.




Soluço


Aquela dor não era passageira. Não era rápida como um espirro. Era mais como um soluço. Daqueles que você sempre acha que passou. Mas que dez segundos depois... Lá está ele de novo. E não adianta ficar de ponta cabeça. Ainda dói. Não adianta passar segundos sem respirar. Ainda dói. Não adianta tomar 5 golinhos d'água. Ainda dói. Ainda soluça.
Quando vai dormir também é complicado. Mesmo em uma cama confortável ainda dói. E o soluço tira a concentração. Dormir não é uma opção.
Alguém sabe outra simpatia que leve embora essa dor, digo, soluço?

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